segunda-feira, 8 de abril de 2013

Achados do YouTube: Why not? (cover)



Procurando por aparições ao vivo do Gentle Giant me deparo com essa bela interpretação feita pela banda que até então não conhecia. Se chamam Relíquia e são brasileiros de Americana/SP. Mais vídeos da banda podem ser conferidos no canal deles no YouTube. O vocal é fera!

sábado, 6 de abril de 2013

Som Imaginário e a passagem de bastão dos compositores

O que começou no final dos anos 60 para ser a banda de apoio de Milton Nascimento, em sua carreira solo que se iniciava, acabou também se tornando uma das bandas mais interessantes do rock brasileiro da década de 1970, o Som Imaginário. Quando entraram em estúdio para gravar seu primeiro álbum, a formação era a seguinte: Wagner Tiso (piano), Robertinho Silva (baterista), Luiz Alves (baixo), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (órgão e vocais) e Tavito (guitarra). Todos músicos de responsa que ao longo de suas carreiras iriam aparecer em parcerias com grandes nomes da MPB como Lô Borges, Beto Guedes, Erasmo Carlos, Gonzaguinha, Gal Costa, entre outros.

Milton Nascimento e o Som Imaginário
Lançado em 1970, esse primeiro disco trazia Zé Rodrix como figura de líder dessa turma da pesada, foi ele, inclusive, que se encarregou dos vocais na maioria das músicas. A participação de Milton Nascimento se dá na bela faixa "Tema dos deuses". Dessa bolacha vale ainda destacar abertura esquizofrênica de "Morse"; a crítica "Hey man" (você precisava da taça de ouro); e "Sábado" (esta viria a ser regravada pelo Roupa Nova mais tarde). No YouTube você pode conferir o vídeo com a apresentação da banda nesta época no programa Ensaio. Logo após esse lançamento a banda participa do quarto álbum do Milton, aquele que contem a clássica "Para Lennon e McCartney".

Capa segundo LP
No ano seguinte, com a saída de Zé Rodrix, Frederyko é quem assume a bronca e os vocais do Som Imaginário e o resultado é mais uma viajante obra psicodélica. A exemplo do anterior, também homônimo, o disco traz a engraçada "Cenouras"; a psicodélica na letra e em tudo mais "Gogó (O Alívio Rococó)"; e no encerramento do disco já tinha uma prévia do que estaria vindo pela frente, "A nova estrela" que tem um dedo bem claro de Wagner Tiso na composição.

Em 1973, o que era um sexteto em seu início se transforma em um quarteto. O então principal compositor, Frederyko, deixa o barco e chega a vez de Wagner Tiso ser figura principal por detrás das composições, o resultado é um belo álbum instrumental, o mais progressivo da banda. Matança do Porco, na minha opinião, é um dos melhores disco da música brasileira já feitos. Conta com as participações especiais de Milton Nascimento, Danilo Caymmi e dos Golden Boys. Influencias de música erudita, Gentle Giant, Clube da Esquina, Jazz. Nem vale destacar uma ou outra faixa. É coisa fina!

Essa passagem de bastão na história Som Imaginário me fez lembrar da história de outra não menos grande. O Pink Floyd! Isso porque os ingleses de Cambridge contavam com os vocais do Syd Barrett em seus dois primeiros álbuns de estúdio. No primeiro deles sob a liderança de Barrett, mas já no segundo o uso excessivo de drogas fez com que a maioria das guitarras ficassem por conta de David Gilmour, e os vocais com Richard Wright. Antes mesmo do lançamento desse segundo disco Barrett já havia saído da banda. A fama e o reconhecimento mundial do Pink Floyd viriam com o baixista Roger Waters assumindo os vocais, e tomando a posição de líder, posto que ocuparia até 1985, quando anunciou sua saída da banda. Aí foi a vez de David Gilmour assumir o protagonismo.

Um fato curioso, no entanto compreensível, pois em uma banda com dois (ou mais) grandes compositores é natural que o brilhantismo de um acabe ofuscando e limitando o espaço para as ideias e composições do outro. E esses dois exemplos dados com certeza não são os únicos.

Pra quem ainda não conhece o Som Imaginário, fica a dica, eles vão "plantar cenouras na sua cabeça!"
Boa Viagem!
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Rococó
Meu gogó
Tua avó
Pão de ló
Gororó
Curió
No filó
Rococó

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Injustiçado: Good Singin', Good Playin'

A história do Grand Funk Railroad começa em meados dos anos 60, na cidade de Flint, com o baterista Don Brewer tocando em formações embrionárias do que viria a se tornar numa das mais reconhecidas bandas do Rock 'n' Roll norte americano. Em 1969, como um "power-trio" contando com Mark Farmer na guitarra e vocais e Mel Schacher no baixo, além do próprio Brewer e devidamente batizado, o Grand Funk Railroad (nome inspirado na estrada grand trunk and western Railway) se lança ao estrelato.

Do primeiro álbum, Time Machine, lançado ainda em 69 até o ápice - comercialmente falando - em 73 com o clássico We're an American Band foram muitos discos vendidos, shows lotados e todas as demais  honrarias de grandes estrelas do rock. Com exceção do tratamento da crítica da época, que descia a lenha na banda, mas os fãs não se importavam, ou melhor, lotavam cada vez mais os shows em resposta.

Em resumo podemos dizer que o GFR foi a maior banda de hard rock americana na primeira metade da década de 70, e uma certa respostas aos grandes nomes ingleses do gênero (Led Zeppelin, Deep Purple, Status Quo, pra citar apenas algumas). A banda gostava de ostentar tal posição - a banda de hard americana - prova disso é o próprio título do álbum que lhes levou aos topos das paradas em 73. Em 74 a banda lançou dois álbuns de estúdio (destaque para o Shinin′ On), e em 75 um segundo disco ao vivo, o bem sucedido Caught In The Act.

Só que o declínio da carreira aos poucos estava chegando. As coisas não estavam como antes: o cenário musical tinha mudado, o GFR não conseguiu trazer coisas novas, o relacionamento entre os integrantes já não era mais o mesmo de anos atrás. E a prova de todo esse desgaste ficou consolidada com álbum Born To Die, lançado no final de 75 carregado de músicas pouco inspiradas, apontado pela grande maioria de fãs como o pior disco da banda. Chegou a correr a notícia que a banda havia acabado, mas eis que vem o pedido de ninguém mais, ninguém menos que Frank Zappa pra produzir o próximo álbum da banda.

E Zappa deu justamente o que estava faltando, um novo gaz ao som do Grand Funk. Lançado em 1976, Good Singin', Good Playin' é um disco sensacional, a mão (e também a voz) de Zappa pode ser perfeitamente sentida na faixa "Out To Get You". Na versão remasterizada, lançada em 1999, ainda apareceria uma faixa bônus "Rubberneck" (essa bem mais pra Zappa do que para GFR).  Mas vale também destacar faixas como "Crossfire" e "1976". O Grand Funk havia reencontrado o caminho e a imprensa da época concorda comigo veja aqui. Só que por ironias dessa vida o disco foi muito mal comercialmente, vendeu pouco e fez com que a banda desistisse de turnê programada. E o boato de anos anteriores se concretizou, a banda encerrou suas atividades de vez, para só voltar em 1981. Por conta disso o disco acabou ficando 'esquecido' dentro da história da banda, mas vale ser redescoberto. Good Singin', Good Playin'!

Grand Funk e Zappa se divertindo durante gravações

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Achados do YouTube: Trouble on double Time (cover)


"Trouble on Double Time" é uma das canções que mais gosto do Free, e outro dia por um acaso me deparei com esse versão acústica e caseira (mas bem executada) feita por esse sujeito chamado Jimmy Lewis. Ao pesquisar por esse nome acabei encontrando outro Jimmy Lewis também músico, que trabalhou com Sam Cooke e Ray Charles. Mas ao que tudo indica.. nenhuma relação entre os dois Jimmy, a não ser o nome e o apreço por bons sons. Confira aí!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Black Cat Bones e a árvore genológica do Rock 'n' Roll

Antes de atingir a fama em determinada banda, antes de chegar ao seu auge criativo como artista, muitos músicos tiveram em suas carreiras um longo caminho percorrido. No cenário roqueiro isso até parece ser obrigatório, antes do estrelato muito guitar hero já rodou mais que notícia ruim, carregando em seu currículo a passagem por diversas bandas (algumas com nomes pra lá de estranhos, outras que duraram apenas alguns ensaios). A árvore genológica do Rock 'n' Roll possui ramificações pra lá de complexas. Pra quem gosta de se aventurar como garimpeiro por essas ramificações acaba sempre encontrando algumas pérolas esquecidas, negligenciadas. Conto aqui a história de uma dessas e como cheguei até ela.

Uma das bandas pela qual tenho grande apreço é o Free, conheci eles através do Bad Company. Isso porque - como muitos devem já saber - Paul Rodgers (vocal), Simon Kirke (bateria) antes de formarem o Bad Company faziam parte do Free. Naturalmente me interessei pela banda que contava com 50% dos integrantes da banda que eu gostava (o Bad Company). Foi assim que descobri o Free e seu excepcional guitarrista, Paul Kossoff.

Depois de já conhecer bem o som do Free fui me aprofundando um pouco na história deles, e aí que descubro mais uma banda, sim! Porque Paul Kossoff e Simon Kirke antes de decidirem formar o Free se conheceram tocando junto em outra banda, a Black Cat Bones (BCB). Pra ser sincero tenho minhas dúvidas se não conheci o BCB por meio de outra banda, o Leaf Hound. Fato é que meu interesse por eles se deu por conta da participação dos dois sujeitos citados acima.

Black Cat Bones com a seguinte formação: Stuart Brookes (bass guitar), Derek Brookes (rhythm guitar), Paul Tiller (lead vocals), Frank Perry (drums), Paul Kossoff (lead guitar)

O Black Cat Bones surgiu em 1966 com a seguinte formação: Paul Tiller (vocal), Paul Kossoff (guitarra solo), os irmãos Derek Brooks (guitarra rítmica) e Stuart Brooks (baixo), e Terry Sims (bateria). O estilo tocado era um blues rock comum na época em bares londrinos, por onde a banda fez suas primeiras aparições. Em constantes mudanças na formações, Simon Kirke assume as baquetas do grupo no início de 1968. Neste mesmo ano Kossoff e Kirke abandonam o BCB para, juntamente com  Paul Rodgers, fundar o Free. Mas antes de pular da barca, ainda tiveram tempo de participar da gravação do álbum do pianista Champion Jack Dupree juntamente com Stuart Brooks. E ainda excursionaram pela Inglaterra divulgando o referido álbum.

Contra capa do álbum lançado em 68 pelo pianista Champion Jack Dupree, 
participações de Kossoff e Kirke
Enquanto Kossoff e Kirke começavam uma nova empreitada, os irmãos Brooks trataram de recrutar substitutos para os postos vagos, os escolhidos foram o guitarrista Rod Price e o baterista Phil Lenoir. Antes disso Tiller já havia sido substituído pelo vocalista Brian Short. Com essa nova formação o BCB gravou seu primeiro e único álbum. O lançamento se deu em novembro de 1969 com o exótico título de Barbed Wire Sandwich. O disco não vendeu bem, não recebeu boa crítica e banda se desfez novamente, dessa vez pra sempre.

Com pouca divulgação, crítica desfavorável quem se aventuraria a levar pra casa uma bolacha com esse capa?
Hoje é bem valorizado entre colecionadores.
Há quem diga que esse disco foi um daqueles clássicos exemplos de uma coisa que está "no lugar certo na hora errada". Eu concordo totalmente. No final dos anos 60 o rock progressivo era a bola da vez, o blues rock de primeira do BCB não era o que interessava a gravadora de momento. Pouco divulgado, sem aclamação da crítica,a consequência foi a baixa receptividade do público.

Vale destacar o competente vocal de Brian Short, e o substituto de Kossoff, Rod Price, que apresenta um belo trabalho nas guitarras. Confira do que estou falando com a fixa Death Valley Blues. (Blusão de primeira, ou estou mentindo?)

Com o fim do Black Cat Bones, Price foi viver seus dias de glória no Foghat; Brian Short  lançou um não muito bem sucedido álbum solo; os irmãos Brooks formaram o Leaf Hound e Phil Lenoir foi parar numa banda chamada Shagrat (que contava com o ex-T.Rex, Steve Peregrin).

Como vocês podem ver, dentro da árvore genológica do rock o Black Cat Bones foi uma semente que rendeu alguns belos (outro nem tanto) frutos. E fica a dica do Sanduíche de arame farpado, degustem sem medo!