sábado, 6 de abril de 2013

Som Imaginário e a passagem de bastão dos compositores

O que começou no final dos anos 60 para ser a banda de apoio de Milton Nascimento, em sua carreira solo que se iniciava, acabou também se tornando uma das bandas mais interessantes do rock brasileiro da década de 1970, o Som Imaginário. Quando entraram em estúdio para gravar seu primeiro álbum, a formação era a seguinte: Wagner Tiso (piano), Robertinho Silva (baterista), Luiz Alves (baixo), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (órgão e vocais) e Tavito (guitarra). Todos músicos de responsa que ao longo de suas carreiras iriam aparecer em parcerias com grandes nomes da MPB como Lô Borges, Beto Guedes, Erasmo Carlos, Gonzaguinha, Gal Costa, entre outros.

Milton Nascimento e o Som Imaginário
Lançado em 1970, esse primeiro disco trazia Zé Rodrix como figura de líder dessa turma da pesada, foi ele, inclusive, que se encarregou dos vocais na maioria das músicas. A participação de Milton Nascimento se dá na bela faixa "Tema dos deuses". Dessa bolacha vale ainda destacar abertura esquizofrênica de "Morse"; a crítica "Hey man" (você precisava da taça de ouro); e "Sábado" (esta viria a ser regravada pelo Roupa Nova mais tarde). No YouTube você pode conferir o vídeo com a apresentação da banda nesta época no programa Ensaio. Logo após esse lançamento a banda participa do quarto álbum do Milton, aquele que contem a clássica "Para Lennon e McCartney".

Capa segundo LP
No ano seguinte, com a saída de Zé Rodrix, Frederyko é quem assume a bronca e os vocais do Som Imaginário e o resultado é mais uma viajante obra psicodélica. A exemplo do anterior, também homônimo, o disco traz a engraçada "Cenouras"; a psicodélica na letra e em tudo mais "Gogó (O Alívio Rococó)"; e no encerramento do disco já tinha uma prévia do que estaria vindo pela frente, "A nova estrela" que tem um dedo bem claro de Wagner Tiso na composição.

Em 1973, o que era um sexteto em seu início se transforma em um quarteto. O então principal compositor, Frederyko, deixa o barco e chega a vez de Wagner Tiso ser figura principal por detrás das composições, o resultado é um belo álbum instrumental, o mais progressivo da banda. Matança do Porco, na minha opinião, é um dos melhores disco da música brasileira já feitos. Conta com as participações especiais de Milton Nascimento, Danilo Caymmi e dos Golden Boys. Influencias de música erudita, Gentle Giant, Clube da Esquina, Jazz. Nem vale destacar uma ou outra faixa. É coisa fina!

Essa passagem de bastão na história Som Imaginário me fez lembrar da história de outra não menos grande. O Pink Floyd! Isso porque os ingleses de Cambridge contavam com os vocais do Syd Barrett em seus dois primeiros álbuns de estúdio. No primeiro deles sob a liderança de Barrett, mas já no segundo o uso excessivo de drogas fez com que a maioria das guitarras ficassem por conta de David Gilmour, e os vocais com Richard Wright. Antes mesmo do lançamento desse segundo disco Barrett já havia saído da banda. A fama e o reconhecimento mundial do Pink Floyd viriam com o baixista Roger Waters assumindo os vocais, e tomando a posição de líder, posto que ocuparia até 1985, quando anunciou sua saída da banda. Aí foi a vez de David Gilmour assumir o protagonismo.

Um fato curioso, no entanto compreensível, pois em uma banda com dois (ou mais) grandes compositores é natural que o brilhantismo de um acabe ofuscando e limitando o espaço para as ideias e composições do outro. E esses dois exemplos dados com certeza não são os únicos.

Pra quem ainda não conhece o Som Imaginário, fica a dica, eles vão "plantar cenouras na sua cabeça!"
Boa Viagem!
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Rococó
Meu gogó
Tua avó
Pão de ló
Gororó
Curió
No filó
Rococó

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